excerto 1-------------------
Era uma técnica sem grandes segredos, que foi muito usada para tingir roupas pelas populações rurais do Minho de outros tempos: só requeria ervas, água a ferver, sal, vinagre e um… alguidar! A primeira fase desse método ancestral consiste em mergulhar a peça de roupa a tingir num panelão que já esteja ao lume, juntamente com as ervas. Com a fervura, espera-se pela cor. Mal seja apurada, a olho, a tonalidade desejada, deixa-se esfriar essa peça de roupa...
excerto 2 ---------------------

O projecto visava a produção de tintas, a partir de ervas espontâneas ou cultivadas, para o tingimento de roupas, recuperando-se assim uma técnica ancestral, há muito caída em desuso no Minho. Apesar do seu interesse económico e ambiental, acabou por ser metido na gaveta: os “gabinetes em Lisboa” recusaram inclui-lo nos mecanismos de apoio do Programa Operacional de Emprego e Desenvolvimento Social (POEDS) com o argumento de que não era uma “actividade prioritária”. Perdeu-se a oportunidade de financiamento, mas a Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho (Adere – Minho), responsável pelo projecto, ainda guarda os resultados do seu trabalho laboratorial sobre ervas tintureiras, à espera de alternativas: está mesmo aberta ao desenvolvimento de parcerias, nomeadamente com entidades galegas que pretendam apostar neste produto inovador, segundo adianta José Manuel Barbosa, dirigente da associação. Está fora de hipótese a aplicação deste processo tradicional à escala industrial, mas a experiência – piloto da Adere – Minho demonstrou que o tingimento com tintas produzidas a partir de ervas corresponde às necessidades de inovação em matéria de vestuário em linho ...
Na integra 3--------------------------------------
A candidatura da Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho (Adere – Minho) contemplava, na fase inicial, um plano de formação do primeiro grupo de futuras profissionais no tingimento tradicional. Pretendia-se lançar neste mercado de trabalho 16 desempregadas oriundas de meios rurais dos concelhos de Vila Verde, Amares, Terras de Bouro, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho. A formação incluía a aquisição de conhecimentos sobre sistemas de corte, de colheita, de secagem e, ainda, de embalagem das ervas recolhidas, neste caso como actividade alternativa, tendo em vista apenas o fornecimento de interessados na aplicação daquele processo tradicional. Em fases posteriores, esperava-se que outros grupos de mulheres desempregadas das mesmas zonas pudessem beneficiar deste processo formativo e das hipóteses de ingresso numa actividade, que “pode dar emprego e dinheiro”, apesar de estar longe de ser “uma mina de ouro”.
Na integra 4-----------------------------------------------
Foi uma prática que perdurou durante séculos entre as populações rurais do Minho, mercê de um capital de saberes transmitidos de geração em geração, que permitiram também legar um vasto conhecimento sobre as espécies adequadas ao tingimento de roupas. Até à década de 50 do século XX ainda era uma técnica muito usada no Minho, mas acabou por cair em desuso e, pior ainda, no esquecimento. A aldeia típica de Agra, em Vieira do Minho, manteve-a até aos inícios da década de noventa do século passado, mas a única habitante que ainda a usava viria a morrer nessa altura sem deixar continuadores. Hoje é difícil encontrar, entre a população rural do Minho, quem conheça esta técnica tradicional e mesmo os que a conhecem não dispõem dos conhecimentos suficientes para uma aplicação perfeita, até por ser necessário saber quais as espécies adequadas.
Na integra 5----------------
O processo de tingimento tradicional tem interesse para as indústrias que confeccionam artigos de linho e de lã pelas possibilidades de usarem outras cores nos produtos: “Encontrariam, a montante, uma mão – de -obra disponível para tingir peças de linho e de lã, segundo as cores desejadas pelo mercado, o que abria caminho à exportação”.
Na integra 6 -----------------------------
Está posta de lado a aplicação à escala industrial do aproveitamento de ervas, apesar de ter suscitado o interesse de empresas tintureiras. Ainda assim, continua válido o alcance económico do tingimento tradicional: o mercado revela lacunas na inovação quanto a acabamentos de produtos naturais, como o linho e a lã de ovelha, exemplifica Amélia Gomes.
Na integra 7 ---------------------------------
Podia constituir uma alternativa profissional para a população feminina dos meios rurais, tendo em conta as suas dificuldades no acesso a outros empregos por falta de habilitações escolares. Quando apresentou a candidatura para a produção de tintas a partir das ervas, a Adere – Minho admitiu que as entidades encarregadas pela apreciação do projecto fossem sensíveis às perspectivas de emprego subjacentes à iniciativa, em face de uma população sem grandes expectativas para obter uma ocupação com rendimentos duradouros. No entanto, as micro – economias nem sempre suscitam a devida atenção, apesar de proporcionarem soluções para a melhoria das condições de vida em zonas deprimidas, observa José Manuel Barbosa, da Adere - Minho Amélia Gomes, técnica da associação, considera que os responsáveis pelas decisões tem a tendência de “pensar nos licenciados”, mas esquecem-se, “porque não estão no terreno”, que “nem todos são licenciados”. Daí que lhes seja “muito difícil perceber” a situação de uma mão - de – obra não qualificada, mas que carece de apoios a alternativas profissionais, como a que representava o projecto para a produção de tintas com recurso às ervas tintureiras. O objectivo consistia em “recrutar no seio da população agrícola feminina” um escol de profissionais que fossem capazes de assegurar uma actividade que abre caminho à inovação, recuperando, também assim, uma técnica ancestral já esquecida e até por isso à espera de continuadores…
Se estiver interessado em obter o texto integral pode enviar um e-mail para fronteranoticias1@gmail.com