terça-feira, 25 de novembro de 2008

Confrarias Crediticias


.Pedro Leitão

Excerto 1-----------------

Esmola recebida, esmola emprestada. Até 1843 pouco mais ou menos, os cofres de irmandades e confrarias do Minho e do resto do país funcionaram como autênticos bancos comunitários. Era uma rede “bancária” tradicional ao alcance das populações rurais. Durante muito tempo, concedeu crédito a… juro módico, isento de hipotecas e sem prazos. Os beneficiários eram quase sempre lavradores, proprietários de terras, mestres de ofícios, vendeiros ou negociantes e até câmaras municipais. Assim acontecia por obra e graça da… actividade sócio - económica de essência mutualista ou prestamista, exercida pelas referidas instituições religiosas, em especial as chamadas Confrarias de Subsino, estas de âmbito paroquial. Havia mesmo empréstimos que só chegavam a ser liquidados pelas gerações seguintes, segundo anota o professor Jorge Fernandes Alves, da Universidade Nova de Lisboa. A sustentabilidade desse antigo sistema creditício era garantida não pela usura especulativa, mas essencialmente pelas esmolas e legados pecuniários ou patrimoniais, além de “significativos rendimentos em missas”, segundo Viriato Capela. Estas fontes de receita acautelavam, à partida, dificuldades de liquidez perante quaisquer contingências resultantes de incumprimentos pontuais ou prolongados por parte de devedores. O juro oscilava entre os 2 e os 2,5%.ao ano Só a partir da segunda metade do século XIX, quando as taxas de juro adquirem já uma dimensão capitalista feroz, ao atingirem valores acima dos cinco por cento...

Excerto 2------------------

O edifício barroco da Câmara de Braga foi construído com dinheiro emprestado pela Confraria de Porto de Ave, que só levou de juro 2,5%. Dois séculos depois não se sabe se o empréstimo foi liquidado

Contraiu um empréstimo de … três mil cruzados à Confraria de Porto de Ave, Póvoa de Lanhoso, para a construção dos Paços do Concelho de Braga, uma das obras mais representativas do barroco português. Só assim foi possível à Câmara bracarense erguer no antigo Campo de Touros (hoje Praça do Município) o principal corpo desse edifício, desenhado pelo arquitecto André Soares. O crédito foi – lhe concedido em 1758, sujeito a uma taxa de juro anual de 2,5%. No entanto, o segundo (e último) corpo dos Paços do Concelho da “Cidade dos Arcebispos” apenas seria concluído um século após o início da primeira grande fase da obra. A liquidação do empréstimo ainda está por esclarecer...

Excerto 3 ---------

São já situações de incumprimento assinaladas nos inícios do século XX, o queria dizer que os tempos já eram outros e as regras mais rígidas: Num empréstimo concedido pela Confraria de Porto de Ave, Marta Lobo cita o caso de uma devedora que “admitiu a sua vergonha e incapacidade de saldar” a dívida, “por estar à espera de outro dinheiro emprestado”, em carta dirigida à confraria, nestes termos: “Por muita vergonha lhe digo que ainda não passei por ahí n´este mez porque a pessoa que me arranja o dinheiro ainda o não recebeu; contava de o receber em Janeiro, mas faltaram – lhe, portanto fez – me falta a mim também. Sabe Deus a minha afflição por não poder cumprir quanto prometi. Agora espero por todo o mez que entra de o arranjar d ´alguma forma. Peço o favor de me disculpar, que eu não me tenho descuidado”...

Excerto4 ------------------------------------------------------




Há pouco mais de 160 anos os créditos concedidos por mais de duas centenas de confrarias, irmandades e misericórdias portuguesas equivaliam hoje a um valor muito superior a 500 milhões de euros. Só as 74 misericórdias e as 3.175 irmandades e confrarias dos distritos de Braga, Viana, Porto, Leiria e Lisboa eram credoras, em 1842, de um activo de dívidas, por capitais mutuados, na ordem dos 3.500 contos (calcularam - nos que esta verba correspondesse a quase 700 milhões de euros). O montante avaliado em relação a empréstimos constitui uma das informações estatísticas da época que Rui Ramos adianta na sua obra “Desmoronamento e reconstrução da economia”. Segundo o mesmo autor, o referido número de confrarias, irmandades e misericórdias (excepto a Misericórdia de Lisboa) apresentavam na época “430 contos de receitas anuais (para 147 contos de despesas) ”, o que constituía um valor considerável. Sabe - se que essas e outras instituições religiosas estavam “dotadas de grandes recursos monetários”

Excerto 5 -----------------------------------


O antigo sistema creditício das confrarias e irmandades habituou “as populações rurais portuguesas a um uso precoce e muito alargado de empréstimos”, obtido nessas instituições, segundo anotam José Viriato Capela e Rogério Borralheiro: elas funcionaram “a maior parte das vezes como entidades de mútuo auxílio”, ao proporcionarem, mesmo ainda no século XIX, “um sistema de crédito tradicional”, que colocava a população “a coberto da violenta especulação usurária dos novos capitalistas e modernos sistemas de crédito”, em ascensão. Seja como for, muitas confrarias já tinham sido extintas pelo poder liberal em 1836: nos anos seguintes, os seus fundos “vão sendo aplicados para os expostos, para socorro dos presos e reedificação das cadeias e para os hospitais das Misericórdias”. A partir de 1843, com o Governo de Costa Cabral, surgem novas tentativas do Estado dito liberal para extinguir, reduzir ou limitar as actividades de muitas outras confrarias...

Excerto 6 ---------------------------------

Em Junho de 1843 era já evidente o mal – estar, causado pelo projecto – lei, então na forja, que ameaçava a actividade sócio – económica das confrarias e irmandades. A Câmara de Braga foi das primeiras no país a insurgir – se contra as restrições que o Governo de Costa Cabral pretendia impor àquelas instituições, alertando até para as suas consequências gravosas no plano económico, conforme se lê numa petição, dirigida pela autarquia aos deputados, que a seguir transcrevemos, parcialmente:
“Senhores deputados da Nação Portuguesa:
Apenas constou perante vós se aprezentara em sessão de 17 do passado o Projecto relativo a Irmandades e Confrarias, hum brado geral de reprovação se fez sentir neste Município de Braga, sendo voz unanime se uzasse do direito de petição consignado na Carta. (…) Considerando o projecto pelo lado unicamente económico, parece a esta Câmara não ser elle digno do vosso apoio. No mesquinho preço dos géneros, cuja cauza não é aqui lugar se investigue, tem escasseado geralmente os recursos, e se não forão capitães levantados, com mágoa esta Câmara o confessa, grande parte dos proprietários teria sido vítima da perda de seus bens, e os Lavradores forçados a abandonar a agricultura das terras...

Excerto 7 ----------------------------


Era das confrarias no Minho e até no resto do país com maiores montantes investidos em… empréstimos, pelo menos desde meados do século XVIII. Por informação do pároco de Taíde em 1758, dispunha de setenta mil cruzados a juro, além de “muitos mil cruzados” em peças de ouro (ver peça nesta página). “Poucas confrarias igualariam Porto de Ave em termos financeiros, neste período”, anota Marta Lobo, autora de um estudo sobre a instituição. Mesmo depois das grandes obras para a construção do seu santuário, que absorveram “consideráveis quantias” entre 1740 e 1758, a Confraria de Nossa Senhora de Porto de Ave continuou a gozar de excessiva liquidez por muito mais tempo ainda, o que lhe permitiu manter uma actividade creditícia barata. O juro de 2,5% ao ano aplicado à Câmara de Braga em 1758 terá sido idêntico ao de outros empréstimos, mas admite – se que tenha praticado taxas na ordem dos 2%,, por ser um valor percentual que à época era comum a outras confrarias “Os montantes que a instituição reservava para dar a juro parecem não ter sido elevados, pelo menos nesta fase”, adianta a mesma investigadora. Um tão grande volume de capitais mutuados, por créditos concedidos, faz antever, por esse tempo, um sem - número de “clientes” deste autêntico banco cooperativo que funcionava em Porto de Ave. No entanto, poucos são os nomes dos usufrutuários dessa época que ficaram registados para a posteridade: a pesquisa de Marta Lobo só encontrou, além da Câmara de Braga, dois “clientes” identificados com todos os nomes e apelidos: o primeiro, era um tal João Alvares Vieira, residente em Porto de Ave...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Confraria de porto de Ave

excerto 1

.Pedro Leitão

Foi necessário arrasar dois montes para lhes extrair pedra atrás de pedra até à última só para construir o santuário de Porto de Ave. A obra grandiosa teve origem numa velha imagem de Nossa Senhora do Rosário já carcomida e “sem culto e veneração”, que estava “posta a um canto”, como cousa “desprezada”, na igreja matriz de Taíde. A 4 de Outubro de 1730, Dia de Santo António, o cónego da Sé de Braga, Domingos Martins, investido na alta função de Visitador, cirandou pela antiga igreja paroquial daquela freguesia, para corrigir eventuais falhas ou deficiências, como se ali estivessem os “olhos e ouvidos” do arcebispo de Braga, Primaz das Espanhas. Reparou então no estado lastimoso da imagem e até por isso ordenou que fosse enterrada (a imagem fora venerada durante séculos em Taíde, mas foi substituída por uma nova). Um mestre – escola, Francisco de Magalhães Machado, que residia no lugar de Porto de Ave, estava lá e pediu ao cónego Visitador para ficar com ela, “alegando – lhe que ensinava meninos e queria diante daquela venerável imagem rezar com eles ladainhas e orações de louvor das Rainha dos Anjos”. A história é contada, com pormenores, pelo pároco de Taíde em 1758, João Alvares Vieira, nas suas respostas aos inquéritos paroquiais do rei D. José I. Pela descrição do sacerdote ficamos a saber que esse mestre – escola ainda vivia no lugar Porto de Ave no ano de 1758, já o Santuário estava quase erguido e a fama dos milagres espalhada pelas “quatro partes do Mundo”. Pelos vistos, o santo homem, apesar de estar na origem daquele imenso caudal de devotos, não fazia questão de puxar para si os louros, pois as suas… “virtudes agora se ocultam por não ofender sua modéstia” (informação do pároco em 1758)...

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excerto 2

Romaria dos bifes e dos melões. Perdeu – se a tradição de levar o gado ao interior do templo, para agradecer à Senhora de Porto de Ave ter salvo os animais de acidentes. No entanto, mantém – se, durante o dia grande da romaria, a 7 de Setembro, o “estendal” de talhos pelos recintos da festa, além de restaurantes improvisados ao ar livre. Antigamente, no próprio local da romaria, improvisava – se um matadouro, com cortes de carnes à vista de todos os romeiros: os bifes de boi servidos durante a festa eram de todo o gado lá abatido. Seja como for, no domingo anterior, ainda se faz o cortejo dos bois destinados a transformarem - se nos bons bifes que são a atracção da romaria, com a sua venda nos talhos ao ar livre ou nas mesas postas para os saborear...

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Excerto 3

Há nesta freguesia outro lugar, que sendo em outro tempo de muitos poucos moradores, está hoje povoado de tantos e tão magníficos edifícios, que quem os descobre vindo da vila de Guimarães, vê a formosa representação de uma cidade é este lugar de Porto de Ave, hoje conhecido em todas as quatro partes do mundo, porque de todas elas se tem oferecido dons e oblações à Sacratíssima e sempre venerada imagem da Senhora dos Milagres do Porto de Ave. Esta Santíssima imagem foi primeiro venerada muitos séculos na igreja paroquial desta freguesia com título da Senhora do Rosário, mas com as inclemências do tempo em tudo fazem aquela mudança (…) Foi a Sacratíssima imagem envelhecendo de sorte que mandando-se fazer outra nova, foi aquela tirada do altar e foi dali por diante, se não tratada com desprezo, ao menos com esquecimento e descuido.

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Excerto 4

É um primeiro (e pelos vistos único) esboço monográfico sobre o santuário de Nossa Senhora de Porto de Ave. Foi escrito como “fragmento” de viagens, não por um português, mas por um… pintor catalão, Luís Vermell, em 1869. O próprio Luís Vermell confessa - se surpreendido por ninguém até aquela data “em que a sede do ouro tudo explora” ter “escrito ou publicado uma notícia da origem deste tão digno e famoso santuário, nem tão pouco se haja feito descrição alguma dele, nem de sua pitoresca, devota e concorridíssima romaria”. Vermell, cujo texto foi publicado pelas edições “Ave Rara”, faz referências à origem do santuário, aludindo aos factos essenciais da história, que coincidem com as descrições do pároco de Taíde em 1758. Além de descrever as capelas do santuário, o pintor catalão faz uma descrição da romaria de Porto de Ave no século XIX, revelando aspectos interessantes desse tempo. Mostra –se surpreendido “com a imensa multidão de povo que a ele aflui por tantos atalhos e de muitas léguas de distância”. Conta que “tudo eram comitivas cantando e transbordando de saúde e alegria: pena é que, chegando – se ao ponto do rio (Ave) se haja de passar por cima de umas fracas pedras”. Depois de visitar depara – se a “um canto do adro” com “ uma porção de barbeiros que, ao ar livre, fazem a barba e cortam o cabelo aos lavradores”. “Mais além excita o apetite tanta qualidade de variada e boa fruta e excelente pão de Braga”.


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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A revolução do minho ou da Maria da Fonte. Factos inéditos

Pedro Leitão

Excerto1


Eram … milhares de camponesas em fúria, munidas de roçadouras, chuças, paus, forcados de ferros, machados e… algumas armas de fogo! Seguiam – nas à distância, pela sua retaguarda, homens armados de clavinas. Estava-se a 27 de Março de 1846. O Juiz de Direito à época na Póvoa haveria de presumir quatro dias mais tarde, no seu relatório ao Governo, que esses homens estariam lá para as apoiar. “Consta que algumas delas disseram ter quem lhes guardasse as costas”, escrevera então o magistrado. Durante a marcha “em direitura” à vila, as revoltosas formaram sempre um cordão humano muito compacto com quase um quilómetro de extensão, ocupando mesmo toda a largura da estrada. Quem as viu passar, ao longe ou ao perto, tremeu de medo. Em vez de desmobilizar, a turba – multa engrossara ainda mais pelo caminho, e acalorava-se de ânimos e afoitezas.o Acorreram a este movimento insurreccional, conclamado pelo toque a rebate dos sinos, o mulherio de Fontarcada e das freguesias vizinhas de Oliveira, Frades, Taíde, Garfe, Travassos e até de Sobradelo da Goma, pontificando nele umas tantas donairosas moçoilas com sangue na guelra. Confirmavam-se assim os boatos, então propalados, de que planeavam invadir a vila e arrombar a cadeia nesse mesmo dia para libertar as quatro companheiras que lá estavam detidas, havia três dias, na sequência do grande motim ocorrido em Fontarcada a 23 de Março (ver peça nesta página). Só que o ataque feroz, planeado pelas líderes da sublevação para o “princípio da noite”, precipitou – se pelo meio da tarde, apanhando desprevenidos os responsáveis administrativos e judiciais do concelho. Ninguém na vila acudira ao carcereiro “pelo terror incutido”, depois de ele ter tocado o sino da cadeia a rebate, “gritando às vozes de d´ Él Rei



Excerto 2 UM dos verdadeiros descendentes da Maria da Fonte

.Pedro Leitão
É o único descendente conhecido (e ainda vivo) de uma das oito amotinadas que sobressaíram na Revolução do Minho ou da Maria da Fonte. A descendência das outras sete revoltosas acabou por levar sumiço. Só Horácio João Tinoco, de 95 anos, viúvo, constitui uma curiosa excepção neste imbróglio genealógico por ser certo que ainda lhe corre nas veias o sangue de Joana ou Joana… Ana Maria Esteves, sua bisavó materna, uma das heroínas dos acontecimentos revolucionários ocorridos na Póvoa de Lanhoso, em 1846. A freguesia de Verim, onde sempre viveu Horácio João, “Horacinho”, também é a única localidade do concelho da Póvoa de Lanhoso que conserva o marco indelével do destino de uma das amotinadas: a sepultura em jazigo perpétuo de Ana Maria Esteves (ver peça nesta página). Mais nenhuma das outras supostas cabecilhas da Revolução da Maria da Fonte tem o seu nome esculpido, com todas as letras, em campo santo, e avalizado pela certa …certeza da historiografia. Não se sabe onde acabaram os seus dias, nem onde foram sepultadas as restantes… sete mulheres do Minho, que… “correram o regedor” (A nona, chamada Maria da Fonte do Vido não conta, por ter sido uma invenção romântica). Verim guardou por muito tempo a “chave” de muitos enigmas relacionados com acontecimentos revolucionários de 1846...


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Excerto 3

Assalto à Cadeia

Entre o meio - dia e as três horas da tarde de 27 de Março de 1846, as inúmeras revoltosas estiveram sempre activas: enquanto umas estiveram ocupadas numa perseguição sem quartel ao juiz ordinário e ao escrivão, outras não arredavam pé da Igreja de Fontarcada, para impedir a exumação do cadáver de Custódia Teresa, ali sepultada por elas desde 23 de Março, não desistindo de deitar a mão ao homem dos “óculos”, o delegado”, que se escondera atrás do altar. Correram ainda à pedrada os coveiros que lá tinham ido para proceder à exumação. Depois de se certificarem que “os da Justiça” não ousariam voltar lá tão cedo pela lição – mestra que lhes infligiram, as revoltosas abandonaram o templo e foram juntar – se no lugar do Cruzeiro, em Fontarcada, às milhares de amotinadas que ali afluíam de todos os lados. A concentração durou o bastante para que todas decidissem avançar sobre a vila da Póvoa. Dirigiram -se logo à casa do administrador do concelho, José Joaquim de Ferreira de Melo e Andrade, para lhe exigirem a “soltura” das companheiras presas. “Ele não estava em casa e a família respondeu que estavam entregues à Justiça”, regista o Juiz de Direito à época no seu relatório. O magistrado omite, porém, que as amotinadas tinham ido falar com ele, pedindo – lhe também que concedesse liberdade às companheiras encarceradas. Segundo o relato do jornalista Azevedo Coutinho, o Juiz de Direito “recorreu a uma evasiva”, ao responder – lhes que as chaves da cadeia estavam nas mãos do carcereiro...

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Ruivães continuação

Em meados do século XVIII, o concelho de Ruivães abarcava, além de São Martinho da Vila de Ruivães, as freguesias de Campos, Lama Longa, Caniçó, Fafião, Pincães, Ponte (ou Vila da Ponte) e Chão de Moinho. À época integrava também o lugar de Linharelhos da freguesia de Salto. Por esse tempo, contava mais de 1100 habitantes: só na vila de Ruivães viviam então 299 pessoas, segundo informação do pároco em 1758, padre Miguel Barroso Dias....

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O último capitão – mor do concelho de Ruivães, José Maria de Miranda Magalhães e Meneses, acabou assassinado na Assureira, Vilar da Veiga, às portas do Gerês, com quatro tiros de clavina, disparados por três emboscados. Eram oito horas da manhã de um domingo, dia 8 de Julho de 1832 (a memorialística da Casa de Lamas, que serviu de Casa da Câmara de Vieira, menciona, talvez por lapso, a data de 8 de Junho desse ano, indicando que era um domingo, mas tal data coincidiu com uma sexta – feira, sendo mais certo o dia 8 de… Julho, por ter sido, de facto, um domingo).

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A freguesia de Campos pertencia ao antigo concelho de Ruivães: pelas referências de meados do século XVIII, Campos terá desempenhado um papel de destaque na administração concelhia de Ruivães. Lavradores da freguesia exerceram o cargo de vereadores na Câmara de Ruivães, enquanto outras pessoas da aldeia foram também eleitas para o cargo de juiz ordinário...

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Foi uma espécie de hasta pública ou leilão, mas neste episódio histórico, que remonta a meados do século XIV, os arrematantes, por assim dizer, acabaram por ser os moradores (“e probadores”) do … concelho de Vilar de Vacas, mais tarde chamado concelho de Ruivães. D. Pedro I, “pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve”, foi informado por carta do seu almoxarife em Chaves, Martim Dominguez, e do escrivão do mesmo almoxarifado, Vasco Periz, que “meteram essa terra em pregom”, mas que “nom acharom” quem mais desse pelos direitos régios sobre os domínios do concelho de Vilar de Vacas “nem quem em elles mais pusesse” do que os seus “moradores e probadores”, que apareceram a licitar, por assim dizer, os ditos direitos por… cento e dez libras, como valor de uma espécie de renda anual ao soberano, ou seja, um foro. Feito o lance, os moradores apressaram-se, pelos vistos, a indigitar um conterrâneo como seu procurador, um tal Gonçalo Guavieiras de Ruynhoos, que o rei considerou “procurador suficiente do dito concelho” pelo poder de uma procuração “avondosa”, avalizada pela assinatura de um tabelião, Afonso Anes, que, para o efeito, lhe foi mostrada....

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pedro leitão

o antigo concelho de ruivães

Até à sua extinção, decretada em 1853, o concelho de Ruivães, outrora chamado Vilar de Vacas, pertencia à província de Trás – os - Montes. A capitalidade deste antigo concelho era a então chamada freguesia de São Martinho da Vila de Ruivães, que acabou por ser anexada ao concelho de Vieira do Minho, juntamente com a de Campos. Quatro anos antes de ser extinto contava mais de seis mil habitantes, abarcando, nessa altura, dez freguesias. Era das mais antigas municipalidades medievais da região de Barroso: a sua fundação deverá ser mesmo anterior à Carta de Foro de 1363, que lhe outorgou o rei D. Pedro I.

Pedro Leitão

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A efémera Fábrica de Vidros de Vilarinho das Furnas



Pedro Leitão

Ficou para a história como a fábrica de vidros da Serra do Gerês, apesar da sua existência efémera. Quanto muito, só terá laborado durante pouco mais de um ano, na planície de Linhares, em Vilarinho da Furna, na margem esquerda do rio Homem. Mesmo assim, foi a primeira e a última fábrica de vidros que funcionou no Minho, após a romanização. Volvidos quase dois séculos sobre a sua instalação, continua, ainda assim, intrigante a implantação de uma indústria vidreira em zona, à época, muito isolada e de difícil acesso, o que condicionava o escoamento rápido dos produtos. A estrada romana da Jeira constituía, ao tempo, a única via de ligação entre Braga e aquele ponto inóspito da serra do Gerês, mas o seu estado de conservação já não seria então dos melhores. A planície de Linhares, agora submersa pela albufeira de Vilarinho da Furna, que fez também desaparecer esta antiga aldeia comunitária, era uma “extensa chã”, como assim a descrevera Tude de Sousa. À sua volta abundava lenha que garantia a laboração, além de farto granito, com muito felspato e quartzo, entre outras inclusões daquela rocha, permitindo a extracção destas matérias-primas essenciais ao fabrico de um vidro de qualidade.
Pedro Leitão

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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ervas tintureiras continução

Pedro Leitão



excerto 1-------------------

Era uma técnica sem grandes segredos, que foi muito usada para tingir roupas pelas populações rurais do Minho de outros tempos: só requeria ervas, água a ferver, sal, vinagre e um… alguidar! A primeira fase desse método ancestral consiste em mergulhar a peça de roupa a tingir num panelão que já esteja ao lume, juntamente com as ervas. Com a fervura, espera-se pela cor. Mal seja apurada, a olho, a tonalidade desejada, deixa-se esfriar essa peça de roupa...

excerto 2 ---------------------



O projecto visava a produção de tintas, a partir de ervas espontâneas ou cultivadas, para o tingimento de roupas, recuperando-se assim uma técnica ancestral, há muito caída em desuso no Minho. Apesar do seu interesse económico e ambiental, acabou por ser metido na gaveta: os “gabinetes em Lisboa” recusaram inclui-lo nos mecanismos de apoio do Programa Operacional de Emprego e Desenvolvimento Social (POEDS) com o argumento de que não era uma “actividade prioritária”. Perdeu-se a oportunidade de financiamento, mas a Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho (Adere – Minho), responsável pelo projecto, ainda guarda os resultados do seu trabalho laboratorial sobre ervas tintureiras, à espera de alternativas: está mesmo aberta ao desenvolvimento de parcerias, nomeadamente com entidades galegas que pretendam apostar neste produto inovador, segundo adianta José Manuel Barbosa, dirigente da associação. Está fora de hipótese a aplicação deste processo tradicional à escala industrial, mas a experiência – piloto da Adere – Minho demonstrou que o tingimento com tintas produzidas a partir de ervas corresponde às necessidades de inovação em matéria de vestuário em linho ...

Na integra 3--------------------------------------

A candidatura da Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho (Adere – Minho) contemplava, na fase inicial, um plano de formação do primeiro grupo de futuras profissionais no tingimento tradicional. Pretendia-se lançar neste mercado de trabalho 16 desempregadas oriundas de meios rurais dos concelhos de Vila Verde, Amares, Terras de Bouro, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho. A formação incluía a aquisição de conhecimentos sobre sistemas de corte, de colheita, de secagem e, ainda, de embalagem das ervas recolhidas, neste caso como actividade alternativa, tendo em vista apenas o fornecimento de interessados na aplicação daquele processo tradicional. Em fases posteriores, esperava-se que outros grupos de mulheres desempregadas das mesmas zonas pudessem beneficiar deste processo formativo e das hipóteses de ingresso numa actividade, que “pode dar emprego e dinheiro”, apesar de estar longe de ser “uma mina de ouro”.


Na integra 4-----------------------------------------------

Foi uma prática que perdurou durante séculos entre as populações rurais do Minho, mercê de um capital de saberes transmitidos de geração em geração, que permitiram também legar um vasto conhecimento sobre as espécies adequadas ao tingimento de roupas. Até à década de 50 do século XX ainda era uma técnica muito usada no Minho, mas acabou por cair em desuso e, pior ainda, no esquecimento. A aldeia típica de Agra, em Vieira do Minho, manteve-a até aos inícios da década de noventa do século passado, mas a única habitante que ainda a usava viria a morrer nessa altura sem deixar continuadores. Hoje é difícil encontrar, entre a população rural do Minho, quem conheça esta técnica tradicional e mesmo os que a conhecem não dispõem dos conhecimentos suficientes para uma aplicação perfeita, até por ser necessário saber quais as espécies adequadas.

Na integra 5----------------

O processo de tingimento tradicional tem interesse para as indústrias que confeccionam artigos de linho e de lã pelas possibilidades de usarem outras cores nos produtos: “Encontrariam, a montante, uma mão – de -obra disponível para tingir peças de linho e de lã, segundo as cores desejadas pelo mercado, o que abria caminho à exportação”.

Na integra 6 -----------------------------

Está posta de lado a aplicação à escala industrial do aproveitamento de ervas, apesar de ter suscitado o interesse de empresas tintureiras. Ainda assim, continua válido o alcance económico do tingimento tradicional: o mercado revela lacunas na inovação quanto a acabamentos de produtos naturais, como o linho e a lã de ovelha, exemplifica Amélia Gomes.


Na integra 7 ---------------------------------

Podia constituir uma alternativa profissional para a população feminina dos meios rurais, tendo em conta as suas dificuldades no acesso a outros empregos por falta de habilitações escolares. Quando apresentou a candidatura para a produção de tintas a partir das ervas, a Adere – Minho admitiu que as entidades encarregadas pela apreciação do projecto fossem sensíveis às perspectivas de emprego subjacentes à iniciativa, em face de uma população sem grandes expectativas para obter uma ocupação com rendimentos duradouros. No entanto, as micro – economias nem sempre suscitam a devida atenção, apesar de proporcionarem soluções para a melhoria das condições de vida em zonas deprimidas, observa José Manuel Barbosa, da Adere - Minho Amélia Gomes, técnica da associação, considera que os responsáveis pelas decisões tem a tendência de “pensar nos licenciados”, mas esquecem-se, “porque não estão no terreno”, que “nem todos são licenciados”. Daí que lhes seja “muito difícil perceber” a situação de uma mão - de – obra não qualificada, mas que carece de apoios a alternativas profissionais, como a que representava o projecto para a produção de tintas com recurso às ervas tintureiras. O objectivo consistia em “recrutar no seio da população agrícola feminina” um escol de profissionais que fossem capazes de assegurar uma actividade que abre caminho à inovação, recuperando, também assim, uma técnica ancestral já esquecida e até por isso à espera de continuadores…


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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A arte perdida de fazer tinta através de folhas. Projecto foi chumbado por não se destinar.... a licenciados.

O projecto visava a produção de tintas, a partir de ervas espontâneas ou cultivadas, para o tingimento de roupas, recuperando-se assim uma técnica ancestral, há muito caída em desuso no Minho. Apesar do seu interesse económico e ambiental, acabou por ser metido na gaveta: os “gabinetes em Lisboa” recusaram inclui-lo nos mecanismos de apoio do Programa Operacional de Emprego e Desenvolvimento Social (POEDS) com o argumento de que não era uma “actividade prioritária”. Perdeu-se a oportunidade de financiamento, mas a Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho (Adere – Minho), responsável pelo projecto, ainda guarda os resultados do seu trabalho laboratorial sobre ervas tintureiras, à espera de alternativas: está mesmo aberta ao desenvolvimento de parcerias, nomeadamente com entidades galegas que pretendam apostar neste produto inovador, segundo adianta José Manuel Barbosa, dirigente da associação. Está fora de hipótese a aplicação deste processo tradicional à escala industrial, mas a experiência – piloto da Adere – Minho demonstrou que o tingimento com tintas produzidas a partir de ervas corresponde às necessidades de inovação em matéria de vestuário em linho e até de produtos de decoração, que incorporem também aquela matéria – prima....

Pedro Leitão

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A solução para a crise económica actual reside nos antigos bancos mutualistas

O Mutualismo

Um tubarão chega para mil peixes, mas mil peixes não chegam para um tubarão. A teoria do tubaronismo remonta ao padre António Vieira, esse espírito lúcido do nosso século XVII. Santo António de Lisboa também andou por lá perto uns séculos antes, com as suas prédicas. António Sérgio, o teorizador do cooperativismo português, explicitou-a sem adornos no nosso século XX. A imagem dos peixes e do tubarão, e vice-versa, acarta uma dicotomia, tão antiga quanto a presença do Homem à face da Terra: é o velho problema que divide a grande massa de homens e mulheres de uma minoria de poderosos. Ou seja, a dicotomia entre a insaciedade dos que já têm muito e querem ter mais e muito mais e o desejo de sobrevivência dos muitos milhões de seres que nada têm e contentam-se com pouco, desde que haja paz, paz, paz, muita paz! Vamos, pois, ao tema que destacamos nesta edição: o antigo sistema creditício de essência mutualista das confrarias e irmandades. Não se julgue que o “cooperativismo financeiro” seja uma expressão nova na sociedade portuguesa. Não só não é nova, como velho é o sistema que pretende significar assim como o conceito que dele se tem. O cooperativismo financeiro foi a “tábua de salvação” para milhões de portugueses, sobretudo, entre os séculos XVIII e XIX com a actividade creditícia das confrarias e, depois, com as caixas económicas das associações mutualistas até inícios do século XX. Desenvolveu-se e cresceu em épocas propícias à estupidez e à crueldade, à desumanidade. Foi a resposta solidária dos povos a um sistema dominador e explorador que se mostrava indiferente aos problemas sociais. Esse sistema explorador ainda prevalece e é fomentado pelo grande capital financeiro. Apenas consegue subsistir quanto maiores forem a ignorância, a incultura, a resignação dessa grande massa de gente que se deita e levanta com o crepúsculo para engordar, com lágrimas e suor, esse… “tubarão”, que engole tudo e tudo quer engolir! Ao contrário do grande capital financeiro, que se limita a dar menos em troca de mais, o cooperativismo financeiro desenvolveu-se na base da troca solidária. A tradição mutualista portuguesa demonstra que ninguém tem de penar uma vida inteira para pagar a casa ao banco. Dirão que para tudo se quer capital. Pois que seja: juntem-se muitos cinco euros por mês entre milhares e milhares de contribuintes e formem com ele uma caixa de aforro. Nessa altura, ficará claro que um tubarão sempre há-de chegar para “mil peixes” A chave disto tudo está na mobilização dos potenciais contribuintes para o fazerem com a mesma rapidez com que o fazem para os cofres de certos clubes pedinchões….PL

A solução para a crise actual reside numa


O Mutualismo

Um tubarão chega para mil peixes, mas mil peixes não chegam para um tubarão. A teoria do tubaronismo remonta ao padre António Vieira, esse espírito lúcido do nosso século XVII. Santo António de Lisboa também andou por lá perto uns séculos antes, com as suas prédicas. António Sérgio, o teorizador do cooperativismo português, explicitou-a sem adornos no nosso século XX. A imagem dos peixes e do tubarão, e vice-versa, acarta uma dicotomia, tão antiga quanto a presença do Homem à face da Terra: é o velho problema que divide a grande massa de homens e mulheres de uma minoria de poderosos. Ou seja, a dicotomia entre a insaciedade dos que já têm muito e querem ter mais e muito mais e o desejo de sobrevivência dos muitos milhões de seres que nada têm e contentam-se com pouco, desde que haja paz, paz, paz, muita paz! Vamos, pois, ao tema que destacamos nesta edição: o antigo sistema creditício de essência mutualista das confrarias e irmandades. Não se julgue que o “cooperativismo financeiro” seja uma expressão nova na sociedade portuguesa. Não só não é nova, como velho é o sistema que pretende significar assim como o conceito que dele se tem. O cooperativismo financeiro foi a “tábua de salvação” para milhões de portugueses, sobretudo, entre os séculos XVIII e XIX com a actividade creditícia das confrarias e, depois, com as caixas económicas das associações mutualistas até inícios do século XX. Desenvolveu-se e cresceu em épocas propícias à estupidez e à crueldade, à desumanidade. Foi a resposta solidária dos povos a um sistema dominador e explorador que se mostrava indiferente aos problemas sociais. Esse sistema explorador ainda prevalece e é fomentado pelo grande capital financeiro. Apenas consegue subsistir quanto maiores forem a ignorância, a incultura, a resignação dessa grande massa de gente que se deita e levanta com o crepúsculo para engordar, com lágrimas e suor, esse… “tubarão”, que engole tudo e tudo quer engolir! Ao contrário do grande capital financeiro, que se limita a dar menos em troca de mais, o cooperativismo financeiro desenvolveu-se na base da troca solidária. A tradição mutualista portuguesa demonstra que ninguém tem de penar uma vida inteira para pagar a casa ao banco. Dirão que para tudo se quer capital. Pois que seja: juntem-se muitos cinco euros por mês entre milhares e milhares de contribuintes e formem com ele uma caixa de aforro. Nessa altura, ficará claro que um tubarão sempre há-de chegar para “mil peixes” A chave disto tudo está na mobilização dos potenciais contribuintes para o fazerem com a mesma rapidez com que o fazem para os cofres de certos clubes pedinchões….PL

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

the wakening ... it has begun

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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