segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A revolução do minho ou da Maria da Fonte. Factos inéditos

Pedro Leitão

Excerto1


Eram … milhares de camponesas em fúria, munidas de roçadouras, chuças, paus, forcados de ferros, machados e… algumas armas de fogo! Seguiam – nas à distância, pela sua retaguarda, homens armados de clavinas. Estava-se a 27 de Março de 1846. O Juiz de Direito à época na Póvoa haveria de presumir quatro dias mais tarde, no seu relatório ao Governo, que esses homens estariam lá para as apoiar. “Consta que algumas delas disseram ter quem lhes guardasse as costas”, escrevera então o magistrado. Durante a marcha “em direitura” à vila, as revoltosas formaram sempre um cordão humano muito compacto com quase um quilómetro de extensão, ocupando mesmo toda a largura da estrada. Quem as viu passar, ao longe ou ao perto, tremeu de medo. Em vez de desmobilizar, a turba – multa engrossara ainda mais pelo caminho, e acalorava-se de ânimos e afoitezas.o Acorreram a este movimento insurreccional, conclamado pelo toque a rebate dos sinos, o mulherio de Fontarcada e das freguesias vizinhas de Oliveira, Frades, Taíde, Garfe, Travassos e até de Sobradelo da Goma, pontificando nele umas tantas donairosas moçoilas com sangue na guelra. Confirmavam-se assim os boatos, então propalados, de que planeavam invadir a vila e arrombar a cadeia nesse mesmo dia para libertar as quatro companheiras que lá estavam detidas, havia três dias, na sequência do grande motim ocorrido em Fontarcada a 23 de Março (ver peça nesta página). Só que o ataque feroz, planeado pelas líderes da sublevação para o “princípio da noite”, precipitou – se pelo meio da tarde, apanhando desprevenidos os responsáveis administrativos e judiciais do concelho. Ninguém na vila acudira ao carcereiro “pelo terror incutido”, depois de ele ter tocado o sino da cadeia a rebate, “gritando às vozes de d´ Él Rei



Excerto 2 UM dos verdadeiros descendentes da Maria da Fonte

.Pedro Leitão
É o único descendente conhecido (e ainda vivo) de uma das oito amotinadas que sobressaíram na Revolução do Minho ou da Maria da Fonte. A descendência das outras sete revoltosas acabou por levar sumiço. Só Horácio João Tinoco, de 95 anos, viúvo, constitui uma curiosa excepção neste imbróglio genealógico por ser certo que ainda lhe corre nas veias o sangue de Joana ou Joana… Ana Maria Esteves, sua bisavó materna, uma das heroínas dos acontecimentos revolucionários ocorridos na Póvoa de Lanhoso, em 1846. A freguesia de Verim, onde sempre viveu Horácio João, “Horacinho”, também é a única localidade do concelho da Póvoa de Lanhoso que conserva o marco indelével do destino de uma das amotinadas: a sepultura em jazigo perpétuo de Ana Maria Esteves (ver peça nesta página). Mais nenhuma das outras supostas cabecilhas da Revolução da Maria da Fonte tem o seu nome esculpido, com todas as letras, em campo santo, e avalizado pela certa …certeza da historiografia. Não se sabe onde acabaram os seus dias, nem onde foram sepultadas as restantes… sete mulheres do Minho, que… “correram o regedor” (A nona, chamada Maria da Fonte do Vido não conta, por ter sido uma invenção romântica). Verim guardou por muito tempo a “chave” de muitos enigmas relacionados com acontecimentos revolucionários de 1846...


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Excerto 3

Assalto à Cadeia

Entre o meio - dia e as três horas da tarde de 27 de Março de 1846, as inúmeras revoltosas estiveram sempre activas: enquanto umas estiveram ocupadas numa perseguição sem quartel ao juiz ordinário e ao escrivão, outras não arredavam pé da Igreja de Fontarcada, para impedir a exumação do cadáver de Custódia Teresa, ali sepultada por elas desde 23 de Março, não desistindo de deitar a mão ao homem dos “óculos”, o delegado”, que se escondera atrás do altar. Correram ainda à pedrada os coveiros que lá tinham ido para proceder à exumação. Depois de se certificarem que “os da Justiça” não ousariam voltar lá tão cedo pela lição – mestra que lhes infligiram, as revoltosas abandonaram o templo e foram juntar – se no lugar do Cruzeiro, em Fontarcada, às milhares de amotinadas que ali afluíam de todos os lados. A concentração durou o bastante para que todas decidissem avançar sobre a vila da Póvoa. Dirigiram -se logo à casa do administrador do concelho, José Joaquim de Ferreira de Melo e Andrade, para lhe exigirem a “soltura” das companheiras presas. “Ele não estava em casa e a família respondeu que estavam entregues à Justiça”, regista o Juiz de Direito à época no seu relatório. O magistrado omite, porém, que as amotinadas tinham ido falar com ele, pedindo – lhe também que concedesse liberdade às companheiras encarceradas. Segundo o relato do jornalista Azevedo Coutinho, o Juiz de Direito “recorreu a uma evasiva”, ao responder – lhes que as chaves da cadeia estavam nas mãos do carcereiro...

Se estiver interessado em saber mais sobre este trabalho especial da pode enviar um e-mail para fronteranoticias1@gmail.com

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